Naoya Kihara vence WSOP 2-7 e conquista segundo bracelete
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Naoya Kihara venceu o WSOP $10.000 deuce-to-seven championship, levou o segundo bracelete e ganhou $428.923 em uma mesa final pesada.
Naoya Kihara entra de vez para a elite do WSOP
Naoya Kihara voltou a fazer história no World Series of Poker. Em 2026, o japonês conquistou o $10.000 no-limit deuce-to-seven championship e levantou o segundo bracelete da carreira, 14 anos depois de ter se tornado o primeiro jogador do Japão a vencer um bracelete do WSOP.
Esse tipo de vitória tem peso além do prêmio. Kihara já era um nome respeitado entre os especialistas em mixed games e formatos de draw, mas agora ele reforça um legado raro: o de campeão que atravessa uma década e meia competindo em alto nível, se adaptando e continuando perigoso contra qualquer field.
A mesa final foi daquelas que fazem qualquer grinder parar para assistir. O torneio reuniu nomes como Ryutaro Suzuki, Shaun Deeb, Phil Hellmuth, John Cynn, Alex Foxen, Chad Eveslage, John Monnette e Dan Shak. Em outras palavras, não havia caminho fácil.
Pela vitória, Kihara embolsou $428.923, o terceiro maior cash ao vivo da sua carreira.
Como foi a caminhada até o título no $10.000 deuce-to-seven
A trajetória de Kihara até o troféu foi tudo, menos tranquila. Ele revelou depois da vitória que chegou a ficar com apenas um small blind no Dia 1. Em um torneio comum, isso costuma significar o fim. Mas em um evento técnico como o deuce-to-seven, ainda existe espaço para reconstruir a pilha, escolher bons spots e esperar a maré virar.
No fim do primeiro dia, Kihara conseguiu se recuperar o suficiente para ensacar fichas entre os 56 jogadores que avançaram de um total de 136 entradas. A inscrição permaneceu aberta até o primeiro nível do Dia 2, e o field cresceu para 198 entradas, formando um prize pool de $1.841.400.
Isso ajuda a explicar a dimensão do evento. Hoje, o championship de deuce-to-seven no WSOP já não é visto apenas como um torneio de nicho. Ele virou um palco real para especialistas em mixed games, campeões de bracelete e jogadores completos que sabem se adaptar rapidamente a formatos menos populares.
No fim do Dia 2, restavam apenas 13 jogadores. Suzuki liderava, Shaun Deeb vinha logo atrás, e Kihara ocupava o terceiro lugar. Entre os sobreviventes também estavam Phil Hellmuth, Alex Foxen, John Monnette, o campeão do Main Event de 2018 John Cynn, Chad Eveslage e Dan Shak.
A mesa final e as eliminações mais importantes
O primeiro a cair foi Jason Daly, que já havia conquistado seu terceiro bracelete na temporada. Deeb assumiu a liderança em fichas quando seu jack-low segurou contra o draw de Daly, eliminando-o em 13º lugar.
Depois disso, o torneio foi enxugando em torno dos nomes mais pesados. Chad Eveslage, dono de quatro braceletes, esbarrou em um 7-6 baixo já distribuído para Suzuki e terminou em 12º. Alex Foxen também viu o sonho do quarto bracelete escapar ao perder para outro 7-6, desta vez de David Lin, fechando sua campanha em 11º.
Quando veio o primeiro intervalo da reta final, Kihara já era o último entre os 10 jogadores restantes. Isso diz muito sobre a forma como ele administrou a pressão: em vez de forçar spots ruins, ele sobreviveu, esperou e escolheu melhor os confrontos decisivos.
John Monnette, cinco vezes campeão do WSOP, perdeu uma briga importante contra Deeb quando ambos puxaram uma carta para um oito baixo. Os dois melhoraram para cartas altas, mas o jack de Deeb bateu o king de Monnette, e Monnette saiu em 10º.
Phil Hellmuth veio logo depois. A busca pelo bracelete número 18 travou quando ele tentou completar um 8-6 low e não conseguiu superar o J-7 low de Robert French. Os últimos chips de Hellmuth acabaram indo para a pilha de Kihara em uma mão posterior, quando o japonês puxou duas cartas a partir de 7-5-3 e fez J-10, deixando Hellmuth drawing dead. Hellmuth terminou em 9º, com $41.656.
O que a vitória de Kihara representa para o poker
À medida que o torneio se aproximava da mesa final oficial, a tensão crescia. Robert French acabou como bubble da mesa final ao emparelhar o nove em um draw para 9-8 low numa disputa de short stacks contra Lin.
Depois do dinner break, os sete finalistas voltaram, mas ainda demorou bastante até a próxima eliminação. Per Hildebrand tinha um one-card draw em 8-7, enquanto Kihara estava em two-card draw com 7-5 low. Kihara melhorou para 10-8 low, Hildebrand errou e puxou um king, e o sueco caiu em 7º lugar, levando $54.467.
A partir daí, a porteira abriu.
Kihara eliminou mais um quando entrou em confronto com Dan Shak em uma disputa de one-card seven draws. O jack de Kihara foi suficiente, já que Shak acertou um king e continuou sem o primeiro bracelete do WSOP. O run de Shak terminou em 6º, com $72.834.
Shaun Deeb, que havia liderado o torneio em diferentes momentos, caiu pouco depois. Ele e John Cynn deram pat, sem puxar cartas, mas o 8-7 distribuído para Cynn superou o 10-6 de Deeb. O bicampeão de Player of the Year fechou em 5º lugar, com $99.557.
Na entrada do jogo com quatro jogadores, parecia que a disputa estava concentrada em Kihara e Cynn, enquanto Lin e Suzuki corriam por fora. Mas Lin reagiu com força. Primeiro, dobrou contra Suzuki com um 7-6. Depois, levou o restante das fichas do japonês ao acertar um ace para completar seu K-Q draw. Suzuki, já short e fazendo draw em 9-7 low, emparelhou o nove e saiu em 4º, faturando $139.038.
Logo depois, Lin dobrou de novo em um pote gigante contra Cynn. Lin puxou uma carta em 8-7 low e precisava superar o J-8 low de Cynn. Ele encontrou um seis, fechando o seu oito baixo, e deixou o campeão do Main Event de 2018 em situação crítica. Cynn acabou all-in drawing dead e caiu em 3º, levando $198.302.
Análise: por que esse bracelete vale tanto para jogadores
A segunda vitória de Kihara no WSOP é um lembrete importante: em poker, profundidade de conhecimento ainda vence fama e volume. Em jogos de draw como deuce-to-seven, quem entende melhor os ranges, os pat patterns e os spots de pressão costuma ganhar vantagem real sobre adversários mais conhecidos, mas menos preparados para o formato.
O caso mais didático do torneio foi justamente a recuperação de Kihara no Dia 1. Cair perto de um small blind e ainda assim chegar ao título mostra a diferença entre um jogador que entra em tilt e um profissional que continua executando o plano. Em torneios, especialmente em fields fortes, a habilidade de sobreviver a um desastre inicial pode ser tão importante quanto dominar spots de all-in no fim.
Para quem joga seriamente, o recado é claro:
- especialização ainda gera edge em formatos menos populares;
- short stack não significa eliminação automática se a estrutura permitir jogo técnico;
- controle emocional pesa muito mais quando todos à mesa sabem o que estão fazendo;
- versatilidade é uma arma cada vez mais valiosa no calendário moderno.
Também vale observar o impacto para a cena global. Quando um jogador japonês vence um field tão pesado em uma disciplina de alta complexidade, isso reforça a ideia de que o poker está cada vez menos concentrado em uma única região. A força dos clubes de poker, a qualidade de salas de poker e o acesso a estudo por meio de uma escola de poker ajudam a criar jogadores mais completos e preparados para esse tipo de desafio.
Heads-up contra David Lin e a carta perfeita
Kihara começou o heads-up com a liderança em fichas, mas Lin conseguiu virar o jogo por um momento. A decisão veio em um dos maiores potes do torneio, e Kihara precisou de uma última carta para garantir o bracelete.
Depois de um 4-bet all-in, Lin abriu 10-8-5-4-2 low. Kihara mostrou 6-5-3-2 e puxou uma carta. Ele precisava de um 7, 8, 9 ou 10 para vencer o pote. A carta veio perfeita: 7.
Em deuce-to-seven, finais assim resumem tudo o que torna o jogo fascinante. Não é sobre um full house salvador ou um flush dramático no river. É sobre precisão, leitura de situação e a capacidade de suportar a pressão quando uma única carta decide o campeonato.
Para quem acompanha a rotina dos grandes series e quer extrair mais valor do grind, também faz sentido ficar atento a promoções e bônus e a oportunidades com um agente de poker, principalmente quando o objetivo é montar uma agenda longa e eficiente.
Conclusão: um campeão de longa distância
Naoya Kihara não venceu apenas mais um torneio. Ele construiu uma narrativa de resistência, especialização e longevidade competitiva. Foi o primeiro japonês a ganhar um bracelete do WSOP em 2012 e, em 2026, voltou ao topo ao bater uma mesa final duríssima em um dos formatos mais técnicos do poker.
Para ele, isso pode significar mais alguns anos de carreira nos torneios ao vivo, como o próprio comentou. Para o poker japonês, é mais uma confirmação de força. Para os fãs de mixed games, é a prova de que o formato continua produzindo histórias grandes e vencedores de altíssimo nível.
E para qualquer jogador, a mensagem é simples: no poker, a volta por cima sempre existe para quem entende a profundidade do jogo e continua tomando as decisões certas até o fim.
FAQ
Quanto Naoya Kihara ganhou no WSOP 2-7 Championship?
Kihara levou $428.923 pelo primeiro lugar no $10.000 no-limit deuce-to-seven championship.
Esse foi o segundo bracelete de Naoya Kihara no WSOP?
Sim. Ele ganhou o primeiro em 2012 e o segundo em 2026.
Quem Kihara venceu no heads-up?
Ele derrotou David Lin na disputa final mano a mano.
Por que a vitória de Kihara é importante para o poker japonês?
Porque ele foi o primeiro japonês a ganhar um bracelete do WSOP e agora ampliou esse legado com um segundo título.
O que é deuce-to-seven no poker?
É uma modalidade de lowball draw em que o objetivo é formar a pior mão possível, com sequências e flushes prejudicando a combinação.