Congresso dos EUA discute revogar taxação do poker

A gambling tax volta ao Congresso dos EUA com proposta para revogar o limite de 90% nas perdas. Jogadores de poker acompanham de perto.

Fichas de poker e documentos legislativos ligados à discussão sobre gambling tax nos EUA

A disputa sobre gambling tax volta ao centro da mesa

A discussão sobre a gambling tax nos Estados Unidos ganhou novo fôlego. Parlamentares da Câmara dos Representantes vão analisar, nos próximos dias, se a mudança tributária aprovada no One Big Beautiful Bill Act deve ser revogada — e isso interessa diretamente a jogadores de poker, operadores e ao ecossistema do jogo como um todo.

O ponto mais polêmico é objetivo: a regra atual permitiria que o apostador deduzisse apenas 90% das perdas para fins fiscais. Antes, era possível abater 100% dos prejuízos. No poker, onde a variância é parte do jogo, essa diferença pode transformar um ano praticamente neutro em uma dor de cabeça tributária.

Não é à toa que o tema já saiu do debate jurídico e entrou na conversa diária de quem joga em salas de poker e clubes de poker, especialmente entre profissionais e regulares de volume alto.

O que o FULL HOUSE Act quer corrigir

O projeto bipartidário FULL HOUSE Act foi apresentado em janeiro pelo deputado Steven Horsford, de Nevada, e pelo deputado Max Miller, de Ohio. O nome é longo, mas a proposta é direta: revogar totalmente a regra tributária aplicada às perdas em jogos de azar.

O Comitê de Ways and Means da Câmara deve analisar o tema nos primeiros dias da sessão de outono do Congresso. E a iniciativa não vem sozinha: o colegiado também está avaliando outros projetos ligados a impostos, inclusive temas de criptomoedas e saúde.

Para o poker, o simples fato de o assunto estar formalmente na pauta já é relevante. Mostra que a pressão da indústria e dos jogadores finalmente chegou ao nível em que o Congresso precisa responder publicamente.

Por que a regra dos 90% assusta os profissionais

Para o jogador casual, a mudança pode parecer um detalhe técnico. Para o profissional, é uma distorção séria.

O poker é um jogo de alta variância. Um regular pode passar meses jogando bem, com swings pesados, e ainda assim fechar o ano perto do zero depois de despesas e taxas. Se apenas 90% das perdas puderem ser abatidas, esse jogador pode terminar devendo imposto mesmo sem ter lucro real.

É por isso que muita gente no setor chama isso de phantom tax — um imposto sobre dinheiro que, na prática, nunca foi ganho.

O peso político: Nevada, empregos e turismo

O deputado Horsford tem defendido a revogação com um argumento forte: ninguém deveria pagar imposto sobre dinheiro que não ganhou. A linha de raciocínio é econômica e política ao mesmo tempo, porque Nevada depende diretamente de turismo, jogos e serviços associados.

Esse enquadramento é importante em Washington. Mudanças tributárias costumam avançar quando são vendidas como proteção a empregos, pequenas empresas e economias regionais — não apenas como um benefício para uma indústria específica.

A deputada Dina Titus, também de Nevada, segue no mesmo esforço por outra via. O FAIR BET Act, apresentado em 2025, teve uma trajetória irregular: foi retirado de um projeto de gastos com defesa em setembro de 2025 e depois ficou de fora de outra proposta orçamentária em janeiro.

Agora, a iniciativa dela foi incorporada a um pacote tributário que circula na Câmara, o que abre mais uma rota possível para a revogação.

Análise de especialista: impacto real para jogadores e mercado

Do ponto de vista estratégico, a discussão é maior do que uma simples alteração de imposto. O Congresso está começando a encarar a diferença entre uma aposta comum e um ambiente como o poker, onde a variância, o volume e o longo prazo mudam completamente a matemática do resultado.

Se a regra permanecer, o comportamento tende a ficar mais defensivo. Jogadores podem reduzir volume, escolher eventos com menos variância e dedicar mais tempo ao planejamento tributário do que à melhoria técnica. Em outras palavras: uma regra ruim não afeta só o bolso, ela altera a seleção de jogos e o apetite ao risco.

Para quem leva o poker a sério, isso também influencia decisões operacionais — desde viajar para séries até trabalhar com um agente de poker para organizar entradas, deslocamentos e estrutura de carreira.

O que esperar daqui para frente no Congresso

O Congresso retoma os trabalhos na segunda-feira, então tudo ainda está no começo. Não existe garantia de que qualquer uma das propostas chegue a uma votação final no plenário, e o caminho legislativo costuma mudar rápido.

Mesmo assim, o simples fato de dois projetos de revogação estarem sob análise já é uma vitória parcial para o setor. Depois de meses de preocupação, o poker conseguiu colocar a sua pauta no radar político de forma séria.

A mudança tributária foi inicialmente trazida à tona por jogadores de high stakes. Em abril, o Poker Hall of Famer Erik Seidel disse que estava reduzindo sua programação por causa das implicações fiscais.

Esse é o recado principal para o mercado: a discussão deixou de ser teórica. Já está influenciando volume, calendário e decisões de carreira dos melhores jogadores.

FAQ

O que é a mudança na gambling tax aprovada no OBBA?

É uma regra tributária que limita a dedução das perdas de jogo a 90%. No poker, isso pode gerar imposto mesmo quando o jogador não teve lucro real.

O que o FULL HOUSE Act propõe?

O FULL HOUSE Act propõe revogar a regra tributária e voltar a permitir a dedução integral das perdas em jogos de azar.

Por que os jogadores de poker chamam isso de phantom tax?

Porque a regra pode criar imposto sobre um ganho que, de fato, não existiu. Em um jogo de alta variância como o poker, isso é especialmente problemático.

A revogação da gambling tax vai ser aprovada?

Ainda é cedo para saber. O projeto está em análise na comissão, mas ainda precisa passar por várias etapas legislativas.

Como isso pode afetar os torneios de poker?

Se a revogação avançar, pode haver mais participação em grandes eventos e menos pressão sobre profissionais que jogam com alto volume.